SAMU de Maricá opera com frota reduzida e morte em Bambuí expõe falhas
O atendimento de emergência em Maricá atravessa um momento crítico. Informações apontam que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) estaria funcionando atualmente com apenas duas ambulâncias ativas, quando o previsto seriam seis veículos distribuídos entre as bases do Centro, Itaipuaçu e Ponta Negra.
Segundo relatos, quatro ambulâncias estão fora de circulação por falhas mecânicas e permanecem sem manutenção desde dezembro. A paralisação dos reparos teria ocorrido após a rescisão do contrato com a Organização Social de Saúde Associação Hospital Psiquiátrico Espírita Mahatma Gandhi, responsável pela administração do serviço. Com o rompimento, a OSS teria interrompido a manutenção da frota, a aquisição de insumos e a reposição de equipamentos essenciais.
A entidade esteve no centro de investigações da Polícia Federal em 2025, que culminaram na prisão de seu presidente, suspeito de envolvimento em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. Diante do agravamento da situação, a Prefeitura de Maricá decretou intervenção administrativa no contrato ainda em agosto do ano passado, assumindo provisoriamente a gestão do SAMU e o pagamento dos salários, numa tentativa de evitar a paralisação total do serviço.
Apesar da intervenção, a redução da frota tem impactado diretamente o atendimento à população. Moradores de bairros mais distantes relatam demora excessiva no socorro, enquanto as bases de Itaipuaçu e Ponta Negra estariam, em diversos momentos, sem ambulâncias disponíveis. Profissionais do serviço afirmam enfrentar condições precárias de trabalho e forte pressão da população, que, em situações extremas, diz ser obrigada a transportar pacientes em veículos particulares.
Morte em Bambuí gera revolta
A fragilidade do sistema veio à tona de forma ainda mais contundente após a morte de uma idosa com câncer em estágio avançado, no bairro Bambuí. Familiares afirmam que tentaram, por dias consecutivos, acionar o SAMU sem obter atendimento. O caso provocou indignação entre moradores, que realizaram protestos e chegaram a bloquear uma via da região.
A manifestação mobilizou equipes da Guarda Municipal e do PATAMO, enquanto o episódio reacendeu o debate sobre a capacidade de resposta do serviço de urgência no município e a necessidade de soluções imediatas para evitar novas tragédias.

