Polícia Civil desmonta esquema milionário de receptação de cobre na Região Metropolitana
Operação mira empresa de fachada em São Gonçalo usada para armazenar e revender cabos furtados de concessionárias públicas
Uma nova ofensiva contra o crime organizado foi colocada em prática nesta terça-feira (3) pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. A ação integra mais uma fase da Operação Caminhos do Cobre, que tem como foco desarticular quadrilhas especializadas no furto e na revenda ilegal de metais.
Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados em São Gonçalo. Até o início da tarde, duas pessoas haviam sido presas e cerca de 500 quilos de cabos de cobre e outros metais já tinham sido recolhidos, além de telefones celulares usados pelo grupo.
Segundo as investigações, uma empresa de reciclagem vinha sendo utilizada como fachada para dar aparência legal ao material furtado. Parte da carga era escondida em um galpão em área rural próximo à BR-101, dificultando a fiscalização e tentando apagar a origem criminosa dos produtos.
🔍 Inteligência e bloqueio financeiro
A operação foi conduzida por equipes da Delegacia de Roubos e Furtos em conjunto com a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais. A Justiça também autorizou o acesso a dados bancários e empresariais dos alvos, para mapear o fluxo financeiro do esquema.
De acordo com o governo estadual, o trabalho é resultado de meses de denúncias, fiscalizações em ferros-velhos e cruzamento de informações, que revelaram uma rede estruturada de compra e revenda de cabos pertencentes a concessionárias de serviços públicos — prática que causa prejuízos milionários e afeta diretamente o fornecimento de energia, internet e telefonia.
📊 Resultados expressivos desde 2024
Desde o início da Operação Caminhos do Cobre, em setembro do ano passado, mais de 430 estabelecimentos foram vistoriados em todo o estado. O balanço aponta:
- cerca de 200 prisões de responsáveis por pontos irregulares
- aproximadamente 300 toneladas de metais apreendidos
- bloqueio judicial de valores que somam em torno de R$ 240 milhões
As autoridades afirmam que novas fases da operação já estão em planejamento para alcançar outros integrantes da rede criminosa e ampliar o rastreamento do dinheiro movimentado pelo esquema.
A investigação continua em andamento e novas prisões não estão descartadas.

