COM 27 MIL MORTES POR COVID-19, PAÍS COMPLETA DUAS SEMANAS SEM MINISTRO DA SAÚDE

Duas semanas depois do pedido de demissão de Nelson Teich do Ministério da Saúde, o Brasil só vê a pandemia do novo coronavírus avançar. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estudava, desde então, novos nomes para a pasta, como o médico psiquiatra Ítalo Marsili, e o também médico e deputado Osmar Terra (MDB-RS),mas até o momento, o general Eduardo Pazuello segue como interino e deve continuar no comando de forma definitiva, apesar de não ter sido anunciado oficialmente.

O motivo da saída de Teich seria a decisão do presidente Jair Bolsonaro de mudar o protocolo de prescrição da cloroquina no tratamento do novo coronavírus.

O Brasil registra, até essa sexta-feira (29), 26.899 mortes pela doença, 443.542 casos confirmados, uma alta de 79% dos números registrados desde o dia 15 de maio, quando havia 14.962 óbitos.

Uma das principais ações de Pazuello como interino foi a nomeação de mais 11 militares  para atuar no ministério. Desde a saída de Mandetta, em abril, o governo Bolsonaro vem aumentando a presença de militares na pasta. O próprio general Pazuello foi nomeado secretário-executivo do Ministério na gestão de Nelson Teich.

Nesta sexta-feira (29), Jair Bolsonaro e General Pazuello trocaram o comando da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Quem comandará a instituição será o comandante da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Giovanne Gomes da Silva. Silva entra no lugar de Marcio Sidney Sousa Cavalcante, exonerado nesta sexta – e que estava no posto desde o dia 9 de março.

Também hoje foi nomeado o segundo-tenente do Exército Vilson Roberto Ortiz Grzechoczinski como coordenador distrital de Saúde Indígena no Distrito Sanitário Especial Indígena Potiguara da Secretaria Especial de Saúde Indígena. Ele assume o cargo em substituição a Helena Aguiar Rodrigues.

Quem é o general Eduardo Pazuello

Nascido no Rio de Janeiro, o general de divisão Eduardo Pazuello se formou como oficial de intendência na Academia Militar das Agulhas Negras, em 1984. Ele não tem nenhuma formação na área da saúde.

Pazuello participou de Operações na Selva, no Centro de Instrução de Guerra na Selva, em Manaus (AM). Também tem o curso de paraquedista, além de ter feito graduações como mestre de salto, salto livre e avançado de salto livre.

Como oficial superior, fez o curso de Comando e Estado-Maior no Exército, e o curso de política e estratégia aeroespaciais, na Força Aérea Brasileira (FAB).

O general trabalha para o governo desde a época do presidente Michel Temer. Em fevereiro de 2018, passou a coordenar a Operação Acolhida, que cuida de refugiados da Venezuela em Roraima. Após deixar o cargo, ele assumiu o comando da 12ª Região Militar, no Amazonas, função que exerceu até chegar ao Ministério da Saúde.

Homem de confiança e amigo do presidente, Pazuello foi convidado por Nelson Teich para assumir o cargo de secretário-executivo da pasta. Quando recebeu o convite, colegas militares elogiaram o perfil “determinado” para trabalhar com gestão e logística em um momento de pandemia.

Na prática, no entanto, ele nada fez até o momento, principalmente em relação às discordâncias entre Teich e Bolsonaro sobre as medidas de isolamento social e o tratamento de pacientes graves da covid-19 com a hidroxicloroquina.

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